segunda-feira, 11 de maio de 2015


Análise de Blade Runner

   Nessa ficção-cientifica seres construídos a partir de conhecimentos fisiológicos, representam uma cópia fiel humana, incluindo os dessabores de uma crise existencial, como por exemplo, a vida e sua finitude, peculiares da humanidade. O filme reflete o problema da identidade do homem imerso em um mundo altamente especializado em tecnologia, modificado, artificial, segundo uma ordem mundial favorecida pela fusão entre megacorporações que transcenderam o planeta e o modo de produção capitalista. Essa configuração torna o ser humano dependente dessas tecnocracias, já que a condições capitais destas permitem prover um conforto cada vez maior a população. O conforto, que dá segurança, é proporcionado pela criação desses modelos, Nexus 6 ou replicantes, cuja função é justamente liberar a humanidade de certos trabalhos extenuantes e perigosos. Como menciona Bauman, os seres humanos querem liberdade e conforto, entretanto essas instâncias não se tocam, na verdade se antagonizam. Para obter conforto (segurança) o indivíduo deve abrir mão da liberdade, e o seu contrário também é um fato. A técnica tenta fornecer ao ser humano o controle da natureza e de sua própria também. Na ficção, o homem construiu máquinas com qualidades humanas, mas no caminho desse processo pareceu perder a humanidade, como consequência desses relacionamentos tão dependentes da tecnologia, os homens transformaram-se em máquinas. No filme os personagens passam a ideia de uma frieza, um distanciamento com certo grau de solidão. Perguntamo-nos então, quem é humano de fato? Como saber quem é humano e não máquina? 

Cena do filme: Deckard (o blade runner) faz uma entrevista por meio de um teste chamado Voight-Kampf que avalia a empatia. Rachel, um dos modelos mais avançados, coloca em cheque o teste quando quebra a expectativa de um resultado padrão, externando sentimentos e emoções.

Cena do filme: Como foi ordenado Deckard acata a ordem e executa (ou retira) um Replicante feminino de forma implacável, como uma máquina, seguindo uma sequência lógica sem erro, alcançando a meta. 

    Faz parte do ser humano demonstrar empatia ou simpatizar-se pelo outro. Deckard a principio não acredita que um replicante seja emotivo, mas seu aparente niilismo o torna meio sem emoção, como se sua humanidade estivesse perdida. A pergunta suscitada anteriormente cria uma nova questão. O que significa ser humano?

Cena final do filme: após conflito corporal com Roy, Deckard se vê em situação com risco de morte inevitável, mas Roy o salva demonstrando compaixão, empatia por seu algoz de outrora, valorizando a vida acima de tudo, já que a dele estaria se extinguindo naquele momento. 

Momento que chamou mais minha atenção.

      O desejo edípico de matar o pai se concretiza, mas não por um desejo de possuir a mãe, mas frente a uma obsessão de Roy, resultado de uma angústia ocasionada pela finitude da vida. Roy então demonstra que adquiriu a capacidade de sentir emocionar-se e faz como qualquer humano de temperamento impulsivo e violento, após uma reação emocional em contrariedade com sua expectativa.

Cena: Tyrell, maravilhado e atemorizado ao mesmo tempo, tenta convencer Roy que está tudo obedecendo a uma natureza determinista, a qual todos devem submeter-se. Mas o Replicante rejeita sua natureza, reafirmando sua rebeldia contra seu criador. Beija o seu “pai” depois o mata expressando toda a sua insatisfação existencial. 

Bibliografia 

MURTA, C. A Nova era Pós-Moderna. Pós- Graduação, Dimensões da Humanização – Curso de Aperfeiçoamento : UFES, 2015.
MURTA, C. O autômato e o seu corpo: Um problema moderno ou ocidental? In: UFES, 2015.

Áudio Visual

Café Filosófico: Estratégias para uma vida – Um encontro com Bauman.– CPFL Cultura/Documentário.





Conceitos: de Homo Sacer (Giorgio Agamben) a Sujeito Pós-Traumático (Slavoj Zizek)



Para falarmos sobre os conceitos homo sacer e sujeito pós-traumático, a principio seria interessante definir a palavra sujeito segundo o dicionário Michaelis :

"su.jei.to,
adj (lat subjectu) 1 Que está ou fica por baixo. 2 Que se sujeitou ao poder do mais forte; dominado, escravo, súdito, submisso. 3 Que se sujeita facilmente à vontade de outrem; dócil, obediente. 4 Que se conforma; que se deixa guiar por outrem ou por alguma coisa. 5 Adstrito, constrangido. 6 Que não tem ação própria; cativo, domado, escravizado. 7 Comprometido a obedecer; dependente; submetido. 8 Que se acha na obrigação de se submeter. 9 Que pode dar lugar, ocasião ou ensejo a alguma coisa. 10 Que tem disposição ou tendência para; atreito. 11 Que está naturalmente disposto, inclinado ou habituado a alguma coisa. 12 Que é de natureza a produzir certos efeitos. 13 Exposto a qualquer coisa, pela sua natureza ou situação: Sujeito a privações. sm 1 Gram e LógSer, ao qual se atribui um predicado. 2 Filos O ser que conhece. 3 Indivíduo indeterminado que não se nomeia em qualquer discurso ou conversação familiar. 4 Homem, indivíduo, pessoa. S. ativo, Dir: pessoa titular ou capaz de exercer um direito.".

O conceito Sujeito se alarga e toma conotações específicas de acordo com área em que está se relacionando, como a psicanalise e o direito, por exemplo. Sujeito suposto saber é uma definição construída por Lacan (1992), em que o indivíduo, em sua ânsia de saber, deposita no outro sua expectativa, obedecendo sua satisfação, na tentativa de saber. Já o Sujeito de direito é aquele que pode gozar de uma cidadania por ter atingido uma normalidade (socialmente apto) conduzida por uma ação coercitiva (lei) do Estado de Direito. Mas para efeito aqui, Sujeito pós-traumático é o cerne de texto, psicanaliticamente conceituado (de forma geral) a principio por Freud (1974), como/ um individuo que após inesperado choque energético no aparelho mental, que tanja impossível integração e resolução na psique, produz sintomas físicos e emocionais incompatíveis ao seu estado anterior. Na atualidade, vários autores, (re) contextualizaram essa definição supracitada, mas é em Sjavoj Ziszeck (2008) buscar-se-á o seu significado. Para este autor Sujeito pós-traumático seria um indivíduo que após sofrer um choque (um morte simbólica) há um descontínuo entre seu estado anterior e esse sujeito produzido, distanciando-se do mundo simbólico e vivenciando apenas o mundo real. Diferente de Freud (1974) que entende o trauma em si como o permanente e pôr conseguinte desestabilizador do aparelho mental do sujeito. Zizek (2008) considera que os agentes sociais, ou fontes que a infligiram não mantém relação temporal com o indivíduo, mas tornam os indivíduos indiferentes à integração do trauma ou sua percepção. Até mesmo porque nesses casos em que o individuo é um homem de vida nua (Agamben, 2002) sem direitos e sujeitos a criminalidade, violência e miséria como excluído pelo Estado de Direito, por estar inserido nesse meio, este não sente o trauma como algo invasivo, mas condicionado a uma “normalidade”.

Homo sacer é um conceito que tem ligação direta com esse sujeito de direito e esse sujeito pós-traumático. O homo sacer é um sujeito considerado cidadão porém tem seus direitos, obrigações e deveres tolidos por não estar compatibilizado com os anseios do estado. Abandonado por este estado, inserido nesse contexto de exclusão muito antes de seu voluntariado de ser sujeito, arquitetado por meio de leis, comportamentos e a própria economia (Agamben, 2002). Esse abandono à morte, convencionada pela sociedade, que caracteriza o homo sacer por consequência torna o individuo sem acesso a uma vida digna e plena, ou seja, um homem vida nua.

BIOGRAFIA

AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua. Belo Horizonte: UFMG, 2002.

FREUD, S. Além do Princípio do Prazer. In: Edição Stand Brasileira das Obras completas de Sigmund Freud, v.8. Rio de Janeiro: Imago, 1974.

LACAN, J. (1992). O Seminario 7. RJ: Jorge Zahar Editor.

XAVIER, B.G. O sujeito Pós-Traumático a partir de Slavoj Zizek.Curso de Pós-Graduação. NEAAD-UFES. Espirito Santo, 2015.

Acesso em 09/05/2015 http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=sujeito

quinta-feira, 5 de março de 2015

Sagitariando por aí


E singrando pelos mares do desconhecido
Se lança mais um sagitariano.
Eis que esse seja talvez o destino
de várias personas rubricadas pelo Centauro.
Sempre distantes, pelo menos para olhares incompletos,
estão na vanguarda das idéias e da alma.
A mente flui numa nebulosa tão avançada
que os simples mortais não alcançam o pensamento.
Um desses guerreiros foi até ao Uruguai
para se despedir e completar sua jornada mortal
seguindo um curso que só ele sabe agora.
Enquanto passeou por aqui, fez uma bela família,
muitos amigos-irmãos, primos-amigos, amigos-sobrinhos, 
com um jeito que só ele, as musas loiras, a pequena ursinha 
e o zangado Hércules entendiam,
fundia-se aos avanços virtuais/digitais do século XXI
que na verdade começara muito antes de se falar sobre o assunto.
De novo saiu na frente, ao longe, internacional...para o infinito.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A educação e a Arte de ver

No campo das ciências médicas observa-se grande avanço na área das cirurgias e transplantes. No tocante a visão, indivíduos que foram acometidos por algum tipo de comprometimento em seu aparelho visual, tem nos dias de hoje a chance de voltar a enxergar, por exemplo, num delicado transplante de córnea.  Mas nem tão fácil foi chegar nesse ponto exequível da cirurgia e tão difícil quanto se dá no pós-operatório e suas terapias de reeducação neurovisual, aliás, é nesse ponto que o texto em questão “A educação e a Arte de ver” entra para ajudar na reflexão da relação entre esse título.  O indivíduo após ter sido submetido a cirurgia e passado pelos curativos, e cicatrizações , já restabelecido de forma fisiológica entra em processo educacional para entender a sensação da visão no que causará um choque entre cultura e natureza. Natureza, porque é natural do olho ver, mas o que vê? Além dos processos de captação de luz, transmissão dessas informações ao cérebro nada demais será formado senão imagens em um campo de visão para esse recém-operado. Mas e a cultura? Onde entrará? A cultura tem o papel de significar o mundo em que vivem os seres humanos, para reconhecerem a si, aos outros, suas criações e as coisas viventes ou inanimadas. De que adianta esse paciente ser beneficiado pela visão, mas sem reconhecer o que vê? Então a cultura, cujo esse homem tem origem dialogará com seus significados, precisará de um trabalho educacional em dar nomes, funções e sentido no mundo em que vive, uma reeducação visual. A educação se apresenta como uma macro-ferramenta dentro da Cultura, esta é uma função que ela (educação) desempenhará na reestruturação cognitiva de sua visão não apenas no aspecto funcional, mas no plano simbólico e significante.

A natureza nos ensina a ver, mas está em nossa cultura ir além do que se vê. Na medida que a sociedade constrói uma cultura imediatista, instrumentalizada e pouco contemplativa multiplica-se a dificuldade dos seres humanos de verem(ou enxergarem) para além do objeto visualizado, não reconhecendo a si no momento, como parte construtora daquela visão. A educação tem a capacidade altera a percepção, aprofundá-la, quando crítica e sensível torna o homem sujeito de seu significado e significante de seu redor. Pode um cego compor belas canções ou ser um exímio artesão, até mesmo um virtuoso pai de família que sinta prazer em sua vida? Se for possível não foi com os olhos que eles enxergaram.
"Operário em Construção"

 "De forma que, certo dia,
 à mesa ao cortar o pão,
 o operário foi tomado
 de uma súbita emoção,
 ao constatar assombrado
 que tudo naquela mesa
- garrafa, prato, facão –
 era ele quem fazia.
Ele, um humilde operário,

 um operário em construção".

Vinícius de Moraes

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O lugar da técnica/tecnologia na educação


A educação é a essência do conhecimento dentro de uma cultura, para cada sociedade um tipo de cultura, logo, uma educação consoante acompanha esta, ou seja, a educação é uma criação cultural compartilhada por várias sociedades, mas cada uma com suas peculiaridades. A educação seria um tipo de ferramenta, uma macro-ferramenta para normatizar, informar sobre os signos e os códigos que a cultura legitima considerando como válidas à propagação dentro de sua sociedade. Pensando nessa possibilidade (ferramenta) a educação constrói seus aparatos, favorecendo a especialização e o aprofundamento do conhecimento. A linguagem, por exemplo, tomada por uma rede de signos e códigos dotada de intenções e sentidos desde as mais rudimentares até as elaboradas contemporâneas foram às condições que possibilitaram a comunicação entre os seres humanos. Para tanto foi necessária à utilização de uma micro-ferramenta dentro dessa macro-ferramenta, a técnica.
Pierre Levy avalia a cultura sobre o prisma das novas fronteiras da tecnologia da informação, depois da criação dos microcomputadores e seu acesso à população, da criação da internet e sua inserção dentro da vida dessas pessoas criando um novo paradigma cultura que perpassou a linha da informação e mudou o comportamento das sociedades, agora estas tem uma cibercultura.
Levando em conta essa profunda reflexão a relação educação-conhecimento hoje é muito mais imbricada do que tempos atrás. A educação escolástica, expositiva em que o professor era detentor de um saber primando por um método “conteúdista” não consegue mais se sustentar por si só. O conhecimento atualmente não tem no professor condição sine quanon para seu acesso, essa cibercultura derrubou as normativas formais em que a educação (como instituição) chancelava o conhecimento, disseminando de forma livre os conteúdos lançados em sua rede. Qualquer aluno com acesso a internet hoje tem condições de baixar o conteúdo antes mesmo de a aula ser ministrada ou questionar o professor sobre a informação correta do exposto. O acesso ao conteúdo que a internet oferece é democrático, nem tanto é seu acesso à população, nem todos (em se tratando de Brasil) têm condições financeiras, culturais e cognitivas para usufruírem desse serviço. Pierre Levy fala dos estágios, ou categorias, do conhecimento oral, escrita e digital. Se um individuo é analfabeto como pode alcançar o estágio digital? Eles ainda estão vivenciando o oral, e só conseguem ter acesso aos outros dois subsequentes por meio de outros.  


A educação tem novo trabalho, não só alfabetizar e formar, avançar além desses dois, que seria preparar o aluno (qualquer idade) para o uso dessa interface em que as práticas educacionais são executadas, a informatização e a forma como pensar um “pensar autônomo” em que a busca pelo conhecimento seja parte do próprio sujeito sem depender de outro ou algo que se interponha entre si e seu objetivo. A educação passa por uma grande transformação, todas as práticas educacionais são repensadas diariamente e essa dinâmica é uma característica necessária a velocidade da informação e seu feedback, ou seja, a transformação e o seu contínuo junto a criação são hoje a condição em que a educação deve atuar como macro-ferramenta acompanhando essa cultura plural, a cibercultura ou uma cultura líquida (termo cunhado por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês). O pensamento educacional ainda carece de liberta-se das amarras burocratizadas e engessadas por diretrizes, PCN´s orquestradas pelo MEC e suas autarquias sub-hierarquizadas. A distância entre a técnica/tecnologia da informação, e seus aparatos como Personal computers, tablets, redes sociais, blogs, internet, por exemplo, ainda é notória observar que nos livros de História e Geografia ainda não é consenso em capítulos que tratam de temas contemporâneos o conceito Revolução da Comunicação ou Revolução Cibernética e até mesmo Revolução das Informações assim como é conceitual e tudo o que representa dizer Revolução Industrial. Talvez pelo processo ser atual e educadores, críticos e intelectuais ligados a educação estarem inseridos ainda nessa transição, vivenciando essa experiência não se tenha um consenso e sentimento de mensuração adequada a importância do que é essa nova ordem da cultura e informação.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Técnica

O ser humano passou por várias fases de percepções até os dias de hoje, nas quais há um transcender contínuo na relação desses seres e seus pensamentos com o mundo ao seu redor. Por muito se observa inovações tecnológicas que saíram de uma ideia e se materializando para concretizar uma abstração, logo, pode-se crer em anseio do homem. Esse fazer se traduz como uma essência temporal que demanda um conjunto de artes e saberes, constituindo uma técnica. Observar a técnica partir de uma ótica supõe eliminar outras visões, porém num mundo cada vez mais plural e fundido, convém até mesmo uma condensação dessas ideias por meio de debates e estudos a cerca da técnica ou tecnologia.
A filosofia ainda brilhantemente consegue promover debates e discussões em que o tema em questão é posto de ponta a cabeça e observado por “várias janelas” abrindo inúmeros precedentes. Questões como existe uma essência na técnica? O quão nocivo para a humanidade pode ser o excessivo uso da técnica? O ser humano chegou à cadeia evolutiva por meio de sua vocação técnica? Talvez possam ser respondidas, mas nunca a luz de um consenso. Basta partir do conceito de humanizar e desumanizar, levar em consideração o que o ser humano cria, o faz a partir de uma dinâmica humana, concebe-se uma humanização. O ser humano criar algo fora à sua essência ou algo que o distância de sua humanidade, parece ser um equívoco, de modo que pensar que os seres humanos partilham de um destino único e consequente à  sua ordem lógica de criação a partir de um ponto de partida é negligenciar o imprevisto, a mutabilidade humana.
A chamada instrumentalização atinge várias áreas criadas pelo homem, e mesmo que sejam danosas em pontos como saúde, finanças, cultura e meio-ambiente ainda sim são provenientes de anseios humanos, conscientes ou inconscientes. O problema da instrumentalização reside no fato da eliminação na essência, e sem essa, que norteia a origem da criação da técnica, à coloca com fim em si mesma, apenas o uso pelo uso. A técnica nada tem de maligna, o objeto é inocente à forma como o homem monta o seu logos e o seu pathos, seria o mesmo, por exemplo, afirmar que a faca deve ser julgada pelos seus crimes de homicídios, quando na verdade quem os comete são os homens além de ser uma tecnologia criada para outra função. Há quem possa dizer que os objetos também passam por uma evolução por meio de novas técnicas, mudando sua configuração original para ampliar o alcance dos afazeres humanos, porém evoluir objetos deve estar implícito que haja benesses aos homens, e homicídios não se encaixam nessa afirmação.
É nesse desconhecido caminho que o ser humano cria e trilha que a cultura legitima aquilo já trilhado e vão somando-se saberes reafirmando a própria cultura. Essa noção de técnica, em essência, é o que garante o conhecimento de seu uso e sua ampliação dentro de uma rede cultural que a beneficia e a rele-la mantendo-a crítica e dinâmica como uma relação de retro alimentação criação-aplicação-retorno-recriação. Uma cultura baseada numa lógica sustentável que prime pelo não descarte, não sucateamento, não consumismo como fim, pode restabelecer parâmetros como o uso mais integrado ao ser humano, não seria o caso de humanizar a máquina e sua técnica, até porque essas já carregam a dinâmica da humanização, mas harmonizar a relação do homem com sua criação de forma que revalorizasse essa relação.

(eu)