quinta-feira, 5 de março de 2015

Sagitariando por aí

E singrando pelos mares do desconhecido
Se lança mais um sagitariano.
Eis que esse seja talvez o destino
de várias personas rubricadas pelo Centauro.
Sempre distantes, pelo menos para olhares incompletos,
estão na vanguarda das idéias e da alma.
A mente flui numa nebulosa tão avançada
que os simples mortais não alcançam o pensamento.
Um desses guerreiros foi até ao Uruguai
para se despedir e completar sua jornada mortal
seguindo um curso que só ele sabe agora.
Enquanto passeou por aqui, fez uma bela família,
muitos amigos-irmãos, primos-amigos, amigos-sobrinhos
Com um jeito que só ele, a pequena ursinha e o zangado Hércules entendiam,
fundia-se aos avanços virtuais/digitais do século XXI
que na verdade começara muito antes de se falar sobre o assunto.
De novo saiu na frente, ao longe, internacional...para o infinito.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A educação e a Arte de ver

No campo das ciências médicas observa-se grande avanço na área das cirurgias e transplantes. No tocante a visão, indivíduos que foram acometidos por algum tipo de comprometimento em seu aparelho visual, tem nos dias de hoje a chance de voltar a enxergar, por exemplo, num delicado transplante de córnea.  Mas nem tão fácil foi chegar nesse ponto exequível da cirurgia e tão difícil quanto se dá no pós-operatório e suas terapias de reeducação neurovisual, aliás, é nesse ponto que o texto em questão “A educação e a Arte de ver” entra para ajudar na reflexão da relação entre esse título.  O indivíduo após ter sido submetido a cirurgia e passado pelos curativos, e cicatrizações , já restabelecido de forma fisiológica entra em processo educacional para entender a sensação da visão no que causará um choque entre cultura e natureza. Natureza, porque é natural do olho ver, mas o que vê? Além dos processos de captação de luz, transmissão dessas informações ao cérebro nada demais será formado senão imagens em um campo de visão para esse recém-operado. Mas e a cultura? Onde entrará? A cultura tem o papel de significar o mundo em que vivem os seres humanos, para reconhecerem a si, aos outros, suas criações e as coisas viventes ou inanimadas. De que adianta esse paciente ser beneficiado pela visão, mas sem reconhecer o que vê? Então a cultura, cujo esse homem tem origem dialogará com seus significados, precisará de um trabalho educacional em dar nomes, funções e sentido no mundo em que vive, uma reeducação visual. A educação se apresenta como uma macro-ferramenta dentro da Cultura, esta é uma função que ela (educação) desempenhará na reestruturação cognitiva de sua visão não apenas no aspecto funcional, mas no plano simbólico e significante.

A natureza nos ensina a ver, mas está em nossa cultura ir além do que se vê. Na medida que a sociedade constrói uma cultura imediatista, instrumentalizada e pouco contemplativa multiplica-se a dificuldade dos seres humanos de verem(ou enxergarem) para além do objeto visualizado, não reconhecendo a si no momento, como parte construtora daquela visão. A educação tem a capacidade altera a percepção, aprofundá-la, quando crítica e sensível torna o homem sujeito de seu significado e significante de seu redor. Pode um cego compor belas canções ou ser um exímio artesão, até mesmo um virtuoso pai de família que sinta prazer em sua vida? Se for possível não foi com os olhos que eles enxergaram.
"Operário em Construção"

 "De forma que, certo dia,
 à mesa ao cortar o pão,
 o operário foi tomado
 de uma súbita emoção,
 ao constatar assombrado
 que tudo naquela mesa
- garrafa, prato, facão –
 era ele quem fazia.
Ele, um humilde operário,

 um operário em construção".

Vinícius de Moraes

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O lugar da técnica/tecnologia na educação


A educação é a essência do conhecimento dentro de uma cultura, para cada sociedade um tipo de cultura, logo, uma educação consoante acompanha esta, ou seja, a educação é uma criação cultural compartilhada por várias sociedades, mas cada uma com suas peculiaridades. A educação seria um tipo de ferramenta, uma macro-ferramenta para normatizar, informar sobre os signos e os códigos que a cultura legitima considerando como válidas à propagação dentro de sua sociedade. Pensando nessa possibilidade (ferramenta) a educação constrói seus aparatos, favorecendo a especialização e o aprofundamento do conhecimento. A linguagem, por exemplo, tomada por uma rede de signos e códigos dotada de intenções e sentidos desde as mais rudimentares até as elaboradas contemporâneas foram às condições que possibilitaram a comunicação entre os seres humanos. Para tanto foi necessária à utilização de uma micro-ferramenta dentro dessa macro-ferramenta, a técnica.
Pierre Levy avalia a cultura sobre o prisma das novas fronteiras da tecnologia da informação, depois da criação dos microcomputadores e seu acesso à população, da criação da internet e sua inserção dentro da vida dessas pessoas criando um novo paradigma cultura que perpassou a linha da informação e mudou o comportamento das sociedades, agora estas tem uma cibercultura.
Levando em conta essa profunda reflexão a relação educação-conhecimento hoje é muito mais imbricada do que tempos atrás. A educação escolástica, expositiva em que o professor era detentor de um saber primando por um método “conteúdista” não consegue mais se sustentar por si só. O conhecimento atualmente não tem no professor condição sine quanon para seu acesso, essa cibercultura derrubou as normativas formais em que a educação (como instituição) chancelava o conhecimento, disseminando de forma livre os conteúdos lançados em sua rede. Qualquer aluno com acesso a internet hoje tem condições de baixar o conteúdo antes mesmo de a aula ser ministrada ou questionar o professor sobre a informação correta do exposto. O acesso ao conteúdo que a internet oferece é democrático, nem tanto é seu acesso à população, nem todos (em se tratando de Brasil) têm condições financeiras, culturais e cognitivas para usufruírem desse serviço. Pierre Levy fala dos estágios, ou categorias, do conhecimento oral, escrita e digital. Se um individuo é analfabeto como pode alcançar o estágio digital? Eles ainda estão vivenciando o oral, e só conseguem ter acesso aos outros dois subsequentes por meio de outros.  


A educação tem novo trabalho, não só alfabetizar e formar, avançar além desses dois, que seria preparar o aluno (qualquer idade) para o uso dessa interface em que as práticas educacionais são executadas, a informatização e a forma como pensar um “pensar autônomo” em que a busca pelo conhecimento seja parte do próprio sujeito sem depender de outro ou algo que se interponha entre si e seu objetivo. A educação passa por uma grande transformação, todas as práticas educacionais são repensadas diariamente e essa dinâmica é uma característica necessária a velocidade da informação e seu feedback, ou seja, a transformação e o seu contínuo junto a criação são hoje a condição em que a educação deve atuar como macro-ferramenta acompanhando essa cultura plural, a cibercultura ou uma cultura líquida (termo cunhado por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês). O pensamento educacional ainda carece de liberta-se das amarras burocratizadas e engessadas por diretrizes, PCN´s orquestradas pelo MEC e suas autarquias sub-hierarquizadas. A distância entre a técnica/tecnologia da informação, e seus aparatos como Personal computers, tablets, redes sociais, blogs, internet, por exemplo, ainda é notória observar que nos livros de História e Geografia ainda não é consenso em capítulos que tratam de temas contemporâneos o conceito Revolução da Comunicação ou Revolução Cibernética e até mesmo Revolução das Informações assim como é conceitual e tudo o que representa dizer Revolução Industrial. Talvez pelo processo ser atual e educadores, críticos e intelectuais ligados a educação estarem inseridos ainda nessa transição, vivenciando essa experiência não se tenha um consenso e sentimento de mensuração adequada a importância do que é essa nova ordem da cultura e informação.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Técnica/Tecnologias do cotidiano

Primeiramente o vídeo é muito, em uma crônica fazendo alusão ao período medieval,  porém o tema abordado é muito atual: o aprendizado. Novas tecnologias surgem a todo momento, desmistificando a ideia de que tecnologia é algo moderno/contemporâneo, e com ela a dificuldade do aprendizado também. Como a revolução da informação/internet foi muito rápida muitas pessoas não acompanharam essa velocidade e volume de informações, aliás até para quem sabe conduzir essa atual cibertecnologia não aprendeu ainda a lidar a grandeza volume (referindo a informação).

A resistência (e foi minha também) parece ser o primeiro ponto da dificuldade do aprendizado. O não saber, não conhecer nos leva a criação de um pré-conceito e este, nos leva a não tomar parte nesse conhecimento. Na medida que a comunicação avança, num determinado tema, abre-se a possibilidade do conhecimento acerca deste. O antídoto contra a resistência foi a curiosidade, o que isso? para que serve esse botão? como faço para enviar essa mensagem? foram perguntas constantes no aprendizado quebrando a resistência.


A medida eu que avançava sobre o tema aumentava o aprendizado e a etapa pararia a ser outra então, a criação. a partir de saberes adquiridos o uso ficara fácil possibilitando vantagens que estimulariam a imaginação e a criatividade. O caminho disso é a natural adaptação à todos os meios disponíveis em que a informação caiba ou perpassa, estando integrado a cultura facilitando o dia-a-dia. Não obstante, observei que o uso de algumas linguagens de informação ou ferramentas de informação requerem atenção do ponto de vista da mudança de alguns comportamentos, e desde que sejam para o incremento e aumento da qualidade de vida. A TV que é a mais conhecida e de maior tradição e alcance por enquanto dividiu-se em duas qualidades, em aberta e paga. Nem precisa dizer que a TV paga é de maior qualidade e ajuda a selecionar com maior variedade os conteúdos, o único problema é que ela é um receptor, o indivíduo não interage com essa mídia limitando a relação. Com o advento da vídeo aula ou vídeo conferência, cobertura síncrona, isso mudou e as chances de produzir conhecimento também. Já o fenômeno rádio, o mais antigo que se tem noticia, ainda conversa sua característica inicial informativa- entretente e sempre com a participação do ouvinte com uma diferença, está inserido na internet, na web. Uma tecnologia condensada e bastante aproveitada com baixo custo e grande poder de alcance. A internet , com seus periféricos tipo pc, celular, notebook, tablet e etc, trazem praticamente um cérebro auxiliar, processando diversas informações dialogando conosco e nos fazendo processar também e trocamos informações num fluxo contínuo. Diversas são as interfaces dentro de espaço virtual, e dentre elas as redes sociais horizontalizaram o acesso a informação, e outras produção áudio-visuais ou apenas de leitura. As redes sociais foram as únicas em que tive receio de usar por conta da massificação exagerada e expositiva em que pessoalmente não me sinto a vontade. Sem contar que a democratização das relações nela inserida, propõe conteúdos em muitas das vezes não me agradam em seu teor, mas fui "obrigado" a usar pelo fato de tido um alcance tão grande de adeptos que se você não tem acesso fica de fora de um mundo que acontece no real e cotidiano. O mesmo acontece com o What Zap, que produz uma velocidade impressionante de informação e volume, na qual muitas vezes é dificil de absorver e vivenciar. O e-mail ainda uso com frequência e me atende bem dentro de meus anseios e limitações.  O que devemos ficar alerta é como uma ditadura da informação pode nos obrigar a consumir tendências de mercado tecnológico ou nos conduzir a uma postura cultural diferente como no caso da linguagem em que a norma culta do português esta se dizimando.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Técnica

O ser humano passou por várias fases de percepções até os dias de hoje, nas quais há um transcender contínuo na relação desses seres e seus pensamentos com o mundo ao seu redor. Por muito se observa inovações tecnológicas que saíram de uma ideia e se materializando para concretizar uma abstração, logo, pode-se crer em anseio do homem. Esse fazer se traduz como uma essência temporal que demanda um conjunto de artes e saberes, constituindo uma técnica. Observar a técnica partir de uma ótica supõe eliminar outras visões, porém num mundo cada vez mais plural e fundido, convém até mesmo uma condensação dessas ideias por meio de debates e estudos a cerca da técnica ou tecnologia.
A filosofia ainda brilhantemente consegue promover debates e discussões em que o tema em questão é posto de ponta a cabeça e observado por “várias janelas” abrindo inúmeros precedentes. Questões como existe uma essência na técnica? O quão nocivo para a humanidade pode ser o excessivo uso da técnica? O ser humano chegou à cadeia evolutiva por meio de sua vocação técnica? Talvez possam ser respondidas, mas nunca a luz de um consenso. Basta partir do conceito de humanizar e desumanizar, levar em consideração o que o ser humano cria, o faz a partir de uma dinâmica humana, concebe-se uma humanização. O ser humano criar algo fora à sua essência ou algo que o distância de sua humanidade, parece ser um equívoco, de modo que pensar que os seres humanos partilham de um destino único e consequente à  sua ordem lógica de criação a partir de um ponto de partida é negligenciar o imprevisto, a mutabilidade humana.
A chamada instrumentalização atinge várias áreas criadas pelo homem, e mesmo que sejam danosas em pontos como saúde, finanças, cultura e meio-ambiente ainda sim são provenientes de anseios humanos, conscientes ou inconscientes. O problema da instrumentalização reside no fato da eliminação na essência, e sem essa, que norteia a origem da criação da técnica, à coloca com fim em si mesma, apenas o uso pelo uso. A técnica nada tem de maligna, o objeto é inocente à forma como o homem monta o seu logos e o seu pathos, seria o mesmo, por exemplo, afirmar que a faca deve ser julgada pelos seus crimes de homicídios, quando na verdade quem os comete são os homens além de ser uma tecnologia criada para outra função. Há quem possa dizer que os objetos também passam por uma evolução por meio de novas técnicas, mudando sua configuração original para ampliar o alcance dos afazeres humanos, porém evoluir objetos deve estar implícito que haja benesses aos homens, e homicídios não se encaixam nessa afirmação.
É nesse desconhecido caminho que o ser humano cria e trilha que a cultura legitima aquilo já trilhado e vão somando-se saberes reafirmando a própria cultura. Essa noção de técnica, em essência, é o que garante o conhecimento de seu uso e sua ampliação dentro de uma rede cultural que a beneficia e a rele-la mantendo-a crítica e dinâmica como uma relação de retro alimentação criação-aplicação-retorno-recriação. Uma cultura baseada numa lógica sustentável que prime pelo não descarte, não sucateamento, não consumismo como fim, pode restabelecer parâmetros como o uso mais integrado ao ser humano, não seria o caso de humanizar a máquina e sua técnica, até porque essas já carregam a dinâmica da humanização, mas harmonizar a relação do homem com sua criação de forma que revalorizasse essa relação.

(eu)


sábado, 7 de fevereiro de 2015


A relação mente-cérebro na metapsicologia freudiana


O problema vivido por Freud no começo de sua carreira como neurologista foi de embate ideológico. A ciência natural travava com a metafisica nos séculos anteriores uma batalha comparativa em que a metafísica havia sido superada pela ciência. Com Kant a metafísica ganha nova relevância e abre porta novamente para o pensamento além do concreto. Com a inserção de Freud no meio científico o problema ideológico se voltou contra o que Freud tentava criar como psicanálise. Paralelo a isso a psicologia tentava se afirmar como ciência no século 19, seguindo parâmetros criteriosos subordinados as experiências, a testes e resultados que a então ciência apregoava.
No artigo a relação mente-cérebro na metapsicologia freudiana, penso que Freud, vivia tomado em ambiguidades no sentido procedimental da medicina, como neurologista, fazendo as relações "fisiologicistas" formulando sua teoria sobre o consciente advindo de processos psíquicos, e indagado diante de um ponto onde os métodos das ciências naturais não conseguiam mensurar respostas exatas e explicar determinados fenômenos mentais. Num primeiro momento Freud desloca o cartesianismo corpo-mente criando um dicotomismo, dentro da própria mente entre consciente-inconsciente , processos psíquicos conscientes - processos fisiológicos corporais inconscientes. A obscura neurologia da época (vista em tempos atuais)   ainda seria a chancela de uma possível psicologia, mas como Freud avançava em seus estudos e discordava da categoria médica, tivera que "suspender" a psicologia em que estava envolvido dando-lhe um caráter abstrato, uma metapsicologia. (Esta linha é suposição pessoal minha).
Na relação de investigação percebendo que não poderia avançar, sua psicologia, sem considerar outros aspectos menos convencionais, Freud refaz sua teoria como este fragmento do testo mostra:

 " . No Projeto de uma psicologia, essa questão é esclarecida: o psíquico passa a ser pensado como sendo em sua maior parte inconsciente. A consciência – que, segundo o que Freud propusera em 1891, seria uma qualidade de todo o psíquico – passa a ser uma qualidade que pode ou não se acrescentar a apenas uma parcela dos processos psíquicos inconscientes. Na seguinte passagem do Projeto..., Freud admite explicitamente a independência do psíquico em relação ao consciente:

Temos tratado os processos psíquicos como algo que pode prescindir do conhecimento dado pela consciência, existindo independentemente de tal consciência (...). Se não nos deixarmos desconcertar por tal fato, desse pressuposto segue-se que a consciência não proporciona nem conhecimento completo, nem seguro, dos processos neuronais; cabe considerá-los, em primeiro lugar e em toda a extensão, como inconscientes e cabe inferi-los como as outras coisas naturais (Freud, 1895, p. 400). ".


Pode parecer que ele inverte as afirmações e as correlaciona em funções paralelas ou até contrárias, mas na verdade Freud diminui o cartesianismo e incorpora os processos cerebrais no psíquico inconsciente e que a consciência é parte do um sistema nervoso apresentando um papel contribuinte no processo psíquico inconsciente. Ao refazer a teoria nesses moldes ele sugere que a consciência é abstração, não podendo ser mensurada dentro de técnicas cientifico-naturais, e aumentando novamente o cartesianismo. A segunda fase do pensamento Freud, deixa claro, três pontos. O primeiro seria a afirmação do raciocínio dualista dos processos inconsciente-consciência, Freud, não abandonando seu pragmatismo, seu fisiologismo quanto a ideia dos processos psíquicos seriam de ordem nervosa. O segundo é a consequente dedicação a psicologia, dando-lhe um caráter científico-naturalista ao mesmo tempo elencando o inconsciente como objeto verdadeiro de um estudo psicológico. O terceiro é o reconhecimento a instancia da consciência que é obscura e subjetiva. 

(eu)