domingo, 14 de junho de 2015


Família tradicional brasileira?



Se falar em tradição é conceituar um simbolismo que perdura de geração em geração transmitida pelos humanos pertencentes a um grupo, que respeita a um estatuto não dissolvível pelo tempo...então há séria confusão sobre o tal assunto "família tradicional brasileira". Essa intitulação é a afirmação de uma característica bem peculiar, ou seja, aquela que está configurada pela bíblia, homem e mulher unidos em laços de sacramentos para terem a obrigação de conceberem filhos, outorgados pelos dogmas da religião cristã. Brasileiros que não são cristãos, já estão pelo menos errados em algum ponto, sua união não é reconhecida pelos cristãos. Cristão que não podem ter filhos, não são reconhecidos como plenos, segundo a tradição mais ortodoxa e arcaica. Mulheres devem ficar em um papel sempre secundário de auxilio ao homem, não podendo ser tocadas em período menstrual, por estarem impuras. A família tradicional brasileira (cristã), vem de uma história cheia de domínios de poder, enriquecimento ilícito, mentiras, roubos de terras e assassinatos, claro, que não se pode mensurar a porcentagem desses fatos desde o séculos XVI ao XIX, mas sabendo que portugueses degredados, por crimes contra a coroa portuguesa, ou seja, índole duvidosa (que estupraram várias índias), juntamente com jesuítas que vinham com a proposta de converter ao catolicismo, se preciso a força com cacetadas nas mãos e cabeça, os nativos da região. Nativos da região, sim, esses são a verdadeiras família TRADICIONAL brasileira, que sempre estiveram aqui nessas terras, e foram desaculturados à força em nome de dogmas europeus de origem árabe (que bagunça). Terras foram tomadas, índios agredidos e obrigados a trabalhar contra sua vontade, desenganados em sua fé como pagã, não houve respeito pelos cristãos europeus que pouco a pouco foram impondo a "palavra" e seu modo de vida "civilizado". Temos um outro integrante num capítulo ainda pior do que o índio, o negro, desumanizado pelos europeus degredados (criminosos), pelos europeus/brasileiros burgueses (comerciantes) e pelo clero europeu/brasileiro (jesuítas) colocado na condição de escravo com todos os direitos de ser humano revogados, com diversos requintes de crueldades, sem escolha (nem Sartre aqui poderia interferir). Após a abolição não houve indenização e dispositivos de direito que amparassem essa parcela da população, manipulada por Rui Barbosa, eliminando a prova de longos anos de crime, queimando-as. A igreja apoio o tráfico negreiro, validou a escravidão, e ratificou que o "negro não tinha alma". Hoje o vaticano e seus sucessivos Papas pedem desculpas a esse ocorrido na história, "foi um erro" dizem. Vale apena pensar o seguinte, se erraram naquela época, por tanto tempo (300 anos) podem estar errados ainda hoje em se tratando de questões sobre a existência humana. Todavia se beneficiaram grande parcela de brancos dentro país, brasileiros ou naturalizados, e imigrantes que ganhavam pedaços de terra de acordo com a legislação do trabalho que os favoreceram (meeiros), ao negros e ao índio nada, apenas as florestas e os montes das favas - sementes ou favela. A família tradicional brasileira que compõe a herança atrapalhada e perversa do país é a branca, descendente européia, de traço patriarcal e cristã, para todos os outros grupos étnicos (judeus, mestiços, índios, negros e outros) dentro do Brasil, a tendência é seguir esse padrão. Essa construção cultural de família unida ao modo de produção mundial do capital é eficaz e faz isso acontecer de forma natural e sem que as pessoas se apercebam do anacronismo que cometem, quando por exemplo defendem certos pontos de vistas indo contra (muitas vezes) sua história e a herança cultural ou negando o outro lado da história pelo seu desconhecimento dos fatos e falta de perspectiva reflexiva. Família tradicional brasileira é a indígena, por direito de tempo e nascimento desta terra, tudo outro é engano e assalto cultural. Hoje não existem culpados pela história do passado, mas existem culpados por ignorância, vá estudar e ler, se informar antes de levantar versículos e passagens do livro religioso do qual nem faz parte de sua cultura, a não ser que você tenha nascido em jerusálem.





quinta-feira, 28 de maio de 2015


Sobre guerra e paz
Correspondência entre Freud e Einstein


O encontro das duas maiores cabeças pensantes do século XX, que revolucionaram e criaram conceitos em suas respectivas áreas. 


Em 1932, em duas cartas, os dois gigantes trocam informações e acreditam que a guerra pode ser superada, paz real para a humanidade e um futuro próximo livre da guerra. Albert Einstein fazia parte do seleto grupo da Liga das nações, um grupo pensador para soluções de desenvolvimento contra a intolerância, a injustiça e a guerra. 
Tanto por coincidência do destino, afinidades judias ou pela notória projeção de Sigmund Freud, Einstein o escolhe para uma interlocução sobre os conflitos sobre a Segunda Guerra Mundial.Abaixo segue um pequeno fragmento de ambos pontos de vistas


Einstein - O caminho para segurança internacional é a redução da soberania e o desarmamento, abrir mão de uma parte sua soberania entre as nações mundiais.


Freud - Só existe uma forma segura de eliminar a guerra, estabelecer um governo federativo global voluntário, superior ao governo das nações, não ditatorial, com um poder executivo adequado.

Freud - As guerras como hoje são conduzidas, sem atos de heroísmos, com alta sofisticação pode desintegrar não apenas um dos dois conflitantes, mas ambos. Ainda, como a guerra não foi banida pela humanidade? Ajustamento cultural (desenvolvimento coletivo) e fundamentos do temor quanto à forma de futuras guerras (extermínio total) são as possibilidades de se caminhar em direção a paz. Podemos ficar certos de que tudo que promove o desenvolvimento cultural trabalha simultaneamente contra guerra.

Einstein – Sigmund, é possível eliminar do homem o impulso de guerra, de agressão e destruição? Observando o despertar de furor, o ódio das massas facilmente manipulado pelas politicas dominantes. Será possível orientar o desenvolvimento psíquico do homem a de modo a fazê-lo superar a inclinação à destruição e o ódio?

Freud – se há à propensão de destruição, guerra, fruto da pulsão de destruição, ou pulsão de morte, tem o seu oponente, Eros (o amor) pertencente à pulsão da vida. Tudo que produz laços de sentimentos entre os homens pode servir contra a guerra.

Eu - ainda estamos longe de alcançar tal percepção proposta não só por Freud, mas outros contemporâneos seus e pensadores mais antigos que este tempo. Ainda devemos sofrer derrocada maior frente a vida da humanidade para que de fato sintamos o peso do ódio ou a falta do amor.
Um conflito entre animosidade x humanidade que faz pairar no ar uma pergunta. Frente as guerras e conflitos de interesses baseados na dominação, a ingenuidade (instinto) do animal e a intelectualidade (consciência) do homem, quem realmente está sendo irracional?




Metáforas

· Mosca na garrafa – a mosca tem uma saída, mas não enxerga e fica eternamente na angústia. O filosofo teria aqui uma posição de orientar a mosca (no caso a humanidade para saída) observando de fora.

· Peixe na rede – não existe saída, esta é a própria morte, quanto mais o peixe (ou humanidade procurar soluções será inútil) se debater mais difícil será sair, aumentando as chances de morrer mais rápido ou dificultar uma possível fuga. O filosofo seria um consolador, também observando de fora.


· Labirinto – beco sem saída, mas há uma saída, desde que haja esforços dos lados envolvidos (No caso de guerra entre as nações envolvidas). O filosofo aqui tem a função de encorajar a busca pela saída. Ele está junto a essa humanidade.



Einstein – mosca na garrafa
Freud – peixe na rede
A junção dos dois pensamentos  – labirinto


Referências

Audiobook 

BEUST, L. H., "Correspondência entre Einstein e Freud - sobre guerra e paz" , Universidade Falada.

segunda-feira, 11 de maio de 2015


Análise de Blade Runner

   Nessa ficção-cientifica seres construídos a partir de conhecimentos fisiológicos, representam uma cópia fiel humana, incluindo os dessabores de uma crise existencial, como por exemplo, a vida e sua finitude, peculiares da humanidade. O filme reflete o problema da identidade do homem imerso em um mundo altamente especializado em tecnologia, modificado, artificial, segundo uma ordem mundial favorecida pela fusão entre megacorporações que transcenderam o planeta e o modo de produção capitalista.


 Essa configuração torna o ser humano dependente dessas tecnocracias, já que a condições capitais destas permitem prover um conforto cada vez maior a população. O conforto, que dá segurança, é proporcionado pela criação desses modelos, Nexus 6 ou replicantes, cuja função é justamente liberar a humanidade de certos trabalhos extenuantes e perigosos. Como menciona Bauman, os seres humanos querem liberdade e conforto, entretanto essas instâncias não se tocam, na verdade se antagonizam. Para obter conforto (segurança) o indivíduo deve abrir mão da liberdade, e o seu contrário também é um fato. A técnica tenta fornecer ao ser humano o controle da natureza e de sua própria também. Na ficção, o homem construiu máquinas com qualidades humanas, mas no caminho desse processo pareceu perder a humanidade, como consequência desses relacionamentos tão dependentes da tecnologia, os homens transformaram-se em máquinas. No filme os personagens passam a ideia de uma frieza, um distanciamento com certo grau de solidão. Perguntamo-nos então, quem é humano de fato? Como saber quem é humano e não máquina? 


Cena do filme: Deckard (o blade runner) faz uma entrevista por meio de um teste chamado Voight-Kampf que avalia a empatia. Rachel, um dos modelos mais avançados, coloca em cheque o teste quando quebra a expectativa de um resultado padrão, externando sentimentos e emoções.

Cena do filme: Como foi ordenado Deckard acata a ordem e executa (ou retira) um Replicante feminino de forma implacável, como uma máquina, seguindo uma sequência lógica sem erro, alcançando a meta. 

    Faz parte do ser humano demonstrar empatia ou simpatizar-se pelo outro. Deckard a principio não acredita que um replicante seja emotivo, mas seu aparente niilismo o torna meio sem emoção, como se sua humanidade estivesse perdida. A pergunta suscitada anteriormente cria uma nova questão. O que significa ser humano?

Cena final do filme: após conflito corporal com Roy, Deckard se vê em situação com risco de morte inevitável, mas Roy o salva demonstrando compaixão, empatia por seu algoz de outrora, valorizando a vida acima de tudo, já que a dele estaria se extinguindo naquele momento. 

Momento que chamou mais minha atenção.

      O desejo edípico de matar o pai se concretiza, mas não por um desejo de possuir a mãe, mas frente a uma obsessão de Roy, resultado de uma angústia ocasionada pela finitude da vida. Roy então demonstra que adquiriu a capacidade de sentir emocionar-se e faz como qualquer humano de temperamento impulsivo e violento, após uma reação emocional em contrariedade com sua expectativa.

Cena: Tyrell, maravilhado e atemorizado ao mesmo tempo, tenta convencer Roy que está tudo obedecendo a uma natureza determinista, a qual todos devem submeter-se. Mas o Replicante rejeita sua natureza, reafirmando sua rebeldia contra seu criador. Beija o seu “pai” depois o mata expressando toda a sua insatisfação existencial. 

Bibliografia 

MURTA, C. A Nova era Pós-Moderna. Pós- Graduação, Dimensões da Humanização – Curso de Aperfeiçoamento : UFES, 2015.
MURTA, C. O autômato e o seu corpo: Um problema moderno ou ocidental? In: UFES, 2015.

Áudio Visual

Café Filosófico: Estratégias para uma vida – Um encontro com Bauman.– CPFL Cultura/Documentário.






Conceitos: de Homo Sacer (Giorgio Agamben) a Sujeito Pós-Traumático (Slavoj Zizek)




Para falarmos sobre os conceitos homo sacer e sujeito pós-traumático, a principio seria interessante definir a palavra sujeito segundo o dicionário Michaelis :

"su.jei.to,
adj (lat subjectu) 1 Que está ou fica por baixo. 2 Que se sujeitou ao poder do mais forte; dominado, escravo, súdito, submisso. 3 Que se sujeita facilmente à vontade de outrem; dócil, obediente. 4 Que se conforma; que se deixa guiar por outrem ou por alguma coisa. 5 Adstrito, constrangido. 6 Que não tem ação própria; cativo, domado, escravizado. 7 Comprometido a obedecer; dependente; submetido. 8 Que se acha na obrigação de se submeter. 9 Que pode dar lugar, ocasião ou ensejo a alguma coisa. 10 Que tem disposição ou tendência para; atreito. 11 Que está naturalmente disposto, inclinado ou habituado a alguma coisa. 12 Que é de natureza a produzir certos efeitos. 13 Exposto a qualquer coisa, pela sua natureza ou situação: Sujeito a privações. sm 1 Gram e LógSer, ao qual se atribui um predicado. 2 Filos O ser que conhece. 3 Indivíduo indeterminado que não se nomeia em qualquer discurso ou conversação familiar. 4 Homem, indivíduo, pessoa. S. ativo, Dir: pessoa titular ou capaz de exercer um direito.".

O conceito Sujeito se alarga e toma conotações específicas de acordo com área em que está se relacionando, como a psicanalise e o direito, por exemplo. Sujeito suposto saber é uma definição construída por Lacan (1992), em que o indivíduo, em sua ânsia de saber, deposita no outro sua expectativa, obedecendo sua satisfação, na tentativa de saber. Já o Sujeito de direito é aquele que pode gozar de uma cidadania por ter atingido uma normalidade (socialmente apto) conduzida por uma ação coercitiva (lei) do Estado de Direito. Mas para efeito aqui, Sujeito pós-traumático é o cerne de texto, psicanaliticamente conceituado (de forma geral) a principio por Freud (1974), como/ um individuo que após inesperado choque energético no aparelho mental, que tanja impossível integração e resolução na psique, produz sintomas físicos e emocionais incompatíveis ao seu estado anterior. Na atualidade, vários autores, (re) contextualizaram essa definição supracitada, mas é em Sjavoj Ziszeck (2008) buscar-se-á o seu significado. Para este autor Sujeito pós-traumático seria um indivíduo que após sofrer um choque (um morte simbólica) há um descontínuo entre seu estado anterior e esse sujeito produzido, distanciando-se do mundo simbólico e vivenciando apenas o mundo real. Diferente de Freud (1974) que entende o trauma em si como o permanente e pôr conseguinte desestabilizador do aparelho mental do sujeito. Zizek (2008) considera que os agentes sociais, ou fontes que a infligiram não mantém relação temporal com o indivíduo, mas tornam os indivíduos indiferentes à integração do trauma ou sua percepção. Até mesmo porque nesses casos em que o individuo é um homem de vida nua (Agamben, 2002) sem direitos e sujeitos a criminalidade, violência e miséria como excluído pelo Estado de Direito, por estar inserido nesse meio, este não sente o trauma como algo invasivo, mas condicionado a uma “normalidade”.

Homo sacer é um conceito que tem ligação direta com esse sujeito de direito e esse sujeito pós-traumático. O homo sacer é um sujeito considerado cidadão porém tem seus direitos, obrigações e deveres tolidos por não estar compatibilizado com os anseios do estado. Abandonado por este estado, inserido nesse contexto de exclusão muito antes de seu voluntariado de ser sujeito, arquitetado por meio de leis, comportamentos e a própria economia (Agamben, 2002). Esse abandono à morte, convencionada pela sociedade, que caracteriza o homo sacer por consequência torna o individuo sem acesso a uma vida digna e plena, ou seja, um homem vida nua.

BIOGRAFIA

AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua. Belo Horizonte: UFMG, 2002.

FREUD, S. Além do Princípio do Prazer. In: Edição Stand Brasileira das Obras completas de Sigmund Freud, v.8. Rio de Janeiro: Imago, 1974.

LACAN, J. (1992). O Seminario 7. RJ: Jorge Zahar Editor.

XAVIER, B.G. O sujeito Pós-Traumático a partir de Slavoj Zizek.Curso de Pós-Graduação. NEAAD-UFES. Espirito Santo, 2015.

Acesso em 09/05/2015 http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=sujeito

quinta-feira, 5 de março de 2015

Sagitariando por aí


E singrando pelos mares do desconhecido
Se lança mais um sagitariano.
Eis que esse seja talvez o destino
de várias personas rubricadas pelo Centauro.
Sempre distantes, pelo menos para olhares incompletos,
estão na vanguarda das idéias e da alma.
A mente flui numa nebulosa tão avançada
que os simples mortais não alcançam o pensamento.
Um desses guerreiros foi até ao Uruguai
para se despedir e completar sua jornada mortal
seguindo um curso que só ele sabe agora.
Enquanto passeou por aqui, fez uma bela família,
muitos amigos-irmãos, primos-amigos, amigos-sobrinhos, 
com um jeito que só ele, as musas loiras, a pequena ursinha 
e o zangado Hércules entendiam,
fundia-se aos avanços virtuais/digitais do século XXI
que na verdade começara muito antes de se falar sobre o assunto.
De novo saiu na frente, ao longe, internacional...para o infinito.



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A educação e a Arte de ver

No campo das ciências médicas observa-se grande avanço na área das cirurgias e transplantes. No tocante a visão, indivíduos que foram acometidos por algum tipo de comprometimento em seu aparelho visual, tem nos dias de hoje a chance de voltar a enxergar, por exemplo, num delicado transplante de córnea.  Mas nem tão fácil foi chegar nesse ponto exequível da cirurgia e tão difícil quanto se dá no pós-operatório e suas terapias de reeducação neurovisual, aliás, é nesse ponto que o texto em questão “A educação e a Arte de ver” entra para ajudar na reflexão da relação entre esse título.  O indivíduo após ter sido submetido a cirurgia e passado pelos curativos, e cicatrizações , já restabelecido de forma fisiológica entra em processo educacional para entender a sensação da visão no que causará um choque entre cultura e natureza. Natureza, porque é natural do olho ver, mas o que vê? Além dos processos de captação de luz, transmissão dessas informações ao cérebro nada demais será formado senão imagens em um campo de visão para esse recém-operado. Mas e a cultura? Onde entrará? A cultura tem o papel de significar o mundo em que vivem os seres humanos, para reconhecerem a si, aos outros, suas criações e as coisas viventes ou inanimadas. De que adianta esse paciente ser beneficiado pela visão, mas sem reconhecer o que vê? Então a cultura, cujo esse homem tem origem dialogará com seus significados, precisará de um trabalho educacional em dar nomes, funções e sentido no mundo em que vive, uma reeducação visual. A educação se apresenta como uma macro-ferramenta dentro da Cultura, esta é uma função que ela (educação) desempenhará na reestruturação cognitiva de sua visão não apenas no aspecto funcional, mas no plano simbólico e significante.

A natureza nos ensina a ver, mas está em nossa cultura ir além do que se vê. Na medida que a sociedade constrói uma cultura imediatista, instrumentalizada e pouco contemplativa multiplica-se a dificuldade dos seres humanos de verem(ou enxergarem) para além do objeto visualizado, não reconhecendo a si no momento, como parte construtora daquela visão. A educação tem a capacidade altera a percepção, aprofundá-la, quando crítica e sensível torna o homem sujeito de seu significado e significante de seu redor. Pode um cego compor belas canções ou ser um exímio artesão, até mesmo um virtuoso pai de família que sinta prazer em sua vida? Se for possível não foi com os olhos que eles enxergaram.
"Operário em Construção"

 "De forma que, certo dia,
 à mesa ao cortar o pão,
 o operário foi tomado
 de uma súbita emoção,
 ao constatar assombrado
 que tudo naquela mesa
- garrafa, prato, facão –
 era ele quem fazia.
Ele, um humilde operário,

 um operário em construção".

Vinícius de Moraes