quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A Coisa



O filme escolhido para uma reflexão psicanalítica é o drama “Shame” (“Vergonha”, em português), com roteiro e direção de Steve Mcqueen. Analisando essa obra cinematográfica à luz da psicanálise, observa-se temas como perversão, compulsão, obsessão, desumanização, objeto, desejo, Coisa, narcisismo, surto e psicose.



                            
Capa francesa

Brandon (Michael Fassbender) é um cara bem sucedido e mora sozinho em Nova York. Seus problemas de relacionamento, aparentemente, são resolvidos durante a prática do sexo, tendo em vista que é um amante incontrolável. Contudo, sua rotina de viciado em sexo acaba sendo profundamente abalada quando sua irmã Sissy (Carey Mulligan) aparece de surpresa e pretende morar com ele.

Brandon parenta ser um homem bem sucedido em sua profissão, na casa dos 30 anos, sem nenhum vínculo amoroso e total independência. Por de trás de sua aparência relativamente comum, Brandon nutre hábitos sexuais considerados imorais segundo o padrão moral da sociedade norte-americana. Assíduo frequentador de sites pornográficos e cliente fiel dos serviços de acompanhantes de luxo, além de flertar com mulheres em ambientes públicos como metrôs, ruas e nightclubs. Brandon, possuí uma irmã, Sissy, cuja figura causa nele sentimentos de negligência, de fuga ou de distanciamento para com ela. Seguindo, grande parte do enredo se desenrola a partir da reaproximação da irmã, o que causa nele um descontrole na sua relação com sua (com)pulsão e seu objeto de desejo. 

Brandom apresenta um quadro clínico de compulsão-obsessão, no qual o objeto de desejo é o sexo, e tendo no ato sexual a obtenção de seu prazer. Entretanto Freud descreveu que a obtenção de um prazer que saciasse por completo o sujeito, é impossível do ponto de vista da psico-fisiologia, já que dessa forma levaria a uma exaustão do sistema com sua consequente cessação, conceitualmente para o organismo isso é a morte. Em contrapartida a pulsão é condicionada a emitir frações de energia para que nunca se atinja ao prazer total, permanecendo sempre um resquício que iniciará novamente essa relação de desejo ao objeto, e pela busca do prazer nele representado. Essa descrição supracitada é considerada por Freud como o equilíbrio entre o principio do prazer (pulsão de vida), pulsão de morte e principio da realidade. Brandon até então se mantém um compulsivo “controlado”, mas com impulsos “lascivos ou bestiais” – segundo a tradição erótica norte-americana – buscando prazer no sexo com suas parceiras das mais variadas belezas e de diversificadas situações, porém sem demonstrar apego erótico ou emocional, um traço narcisista. 

outra capa, húngara.


Sissy, sua irmã, tenta sucessivas tentativas de reaproximação até que consegue (analogamente à uma pulsão). Este reatar de laços (embora forçosa do ponto de vista de Brandon) desencadeia nele um descontrole em relação a sua compulsão sexual na medida em que o passado (simbolizado pela irmã) se torna memorável. Annie têm humores variáveis, ora efusiva ora melancólica, demonstra dependência ao masculino, traz em si marcas de tentativas de suicídio, no entanto é uma cantora muito talentosa e uma mulher bonita.

O que pode ser deduzido – especulativamente – do filme, é que os dois irmãos sofreram traumas (talvez abusivos sexualmente) na infância, produzindo neles a fuga do passado e seu simbólico, além de comportamentos autodestrutivos acompanhados de traços narcisistas, compulsivos-obsessivos em Brandon e em Sissy traços psicóticos, compulsivos-eróticos. Mediando essas suposições conceituais, Freud e Lacan consideram a relação do sujeito com o objeto de desejo saudável desde que esses indivíduos tenham conhecimento de seus desejos, se relacionem com eles, mantendo uma “ética psicanalítica” e sabendo o que fazer com essa situação de forma a não ter prejuízo social. Em psicanalise, não é possível entender, ética do desejo, objeto de desejo sem entender Coisa (Tanto em Freud quanto em Lacan, Coisa difere de coisa, manteremos o conceito relacionado a Coisa). 

Coisa é um conceito definido por Freud, mais tarde relido por Lacan, que relaciona as primeiras, senão a primeira, experiências de prazer com um objeto primeiro, o “objeto primordial”. A incapacidade de significa-lo por uma falta conceitual, perdido no tempo, cristalizado ou reconfigurado agora como Coisa. A Coisa não pode ser memorável, logo o sujeito, e no caso aqui Brandon (e Sissy), busca sempre algo, um objeto, que poderia se alocar no lugar dessa Coisa na tentativa de rememorar um prazer sem significado. Isto porque a linguagem, marca cultural que defini os símbolos e signos em comuns aos seres humanos, não havia sido instituída na psique para uma construção e entendimento da linguagem, residente no fato dos recém-nascidos não possuírem condições cognitivas para a elaboração de construtos e seus derivativos semióticos. Para Brandon, o sexo é esse objeto que tenta substituir a Coisa, bem como a morte para Sissy. No campo Lacaniano, a irmã é o referencial do passado e com a aproximação a presença da Coisa aumenta a sua própria busca, com mais descargas de desejo do que o normal na vã tentativa do objeto se configura como Coisa na busca. A Coisa faz parte do Real (Real, Imaginário e Simbólico) e o desejo faz parte do simbólico e proporcionalmente se a Coisa aumenta sua importância o Real aumenta o domínio sob o simbólico representado pelo desejo. Com o descontrole da compulsão aumenta a perversão – transgressões às normas sociais – para dar conta desse Real, vale frisar que o perverso não é um sujeito mau, mas que está alheio, pensa ele, a obediência moral da sociedade e toma seus “atalhos” para alcançar sua satisfação e seu prazer. Brandon por apresenta um traço perverso e narcisista imagina que pode quebrar a regra do equilíbrio entre o principio do prazer e principio da realidade, e busca o prazer total, e para isso tenta transcender, mas acaba transgredindo esse equilíbrio se tornando (auto)destrutivo. Suas ações desumanizam as pessoas e mecaniza as relações transformando-as em objetos sem espaço para a construção do afeto, sem entrega ao outro por não haver confiança, que são condições cruciais para uma relação equilibrada com o outro, uma relação erótica, uma relação de amor.

Nessas tentativas pulsionais suicidas de Sissy, o risco de morte é considerável e promove um sentimento de angústia em Brandon fazendo-o refletir. Mas se Brandon não se der conta de sua condição, continuará o automatismo de comportamento em direção ao prazer. O final do filme é justamente isso deixa ambíguo com um “pingo” de certeza na retomada do impulso ao desejo e sua compulsão pelo objeto e o prazer o que o proporcionará.



Referências

FREUD, S. Além do Princípio do Prazer. In: Edição Stand Brasileira das Obras completas de Sigmund Freud, v.8. Rio de Janeiro: Imago,1974.

MURTA, C. O autômato e o seu corpo: Um problema moderno ou ocidental? In: Pós Graduação – Neaad-UFES, 2015.


PEREZ, Daniel O. A psicanálise como experiência ética e o problema da cientificidade. Revista Mal-estar e Subjetividade – Fortaleza – Vol. IX – Nº 4 – p. 1203-1232 – dezembro, 2009.


PEREZ, Daniel O. A coisa e a Coisa. Neaad/UFES – Curso de Pós – Graduação: Dimensões da Humanização, dezembro, 2014.

Endereço eletrônico: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-185457/



Acessado em 23/07/2015.

terça-feira, 21 de julho de 2015



Carta de Freud para a mãe de um homossexual

“Minha querida Senhora,

Lendo a sua carta, deduzo que seu filho é homossexual. Chamou fortemente a minha atenção o fato de a senhora não mencionar este termo na informação que acerca dele me enviou. Poderia lhe perguntar por que razão? Não tenho dúvidas que a homossexualidade não representa uma vantagem, no entanto, também não existem motivos para se envergonhar dela, já que isso não supõe vício nem degradação alguma.Não pode ser qualificada como uma doença e nós a consideramos como uma variante da função sexual, produto de certa interrupção no desenvolvimento sexual. Muitos homens de grande respeito da Antiguidade e Atualidade foram homossexuais, e dentre eles, alguns dos personagens de maior destaque na história como Platão, Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, etc. É uma grande injustiça e também uma crueldade, perseguir a homossexualidade como se esta fosse um delito. Caso não acredite na minha palavra, sugiro-lhe a leitura dos livros de Havelock Ellis.Ao me perguntar se eu posso lhe oferecer a minha ajuda, imagino que isso seja uma tentativa de indagar acerca da minha posição em relação à abolição da homossexualidade, visando substituí-la por uma heterossexualidade normal. A minha resposta é que, em termos gerais, nada parecido podemos prometer. Em certos casos conseguimos desenvolver rudimentos das tendências heterossexuais presentes em todo homossexual, embora na maioria dos casos não seja possível. A questão fundamenta-se principalmente, na qualidade e idade do sujeito, sem possibilidade de determinar o resultado do tratamento.A análise pode fazer outra coisa pelo seu filho. Se ele estiver experimentando descontentamento por causa de milhares de conflitos e inibição em relação à sua vida social a análise poderá lhe proporcionar tranqüilidade, paz psíquica e plena eficiência, independentemente de continuar sendo homossexual ou de mudar sua condição.”


Sigmund Freud


19 de abril de 1935

domingo, 19 de julho de 2015

The Cinder Cone


Pode a inovação ser um regresso?

assistam ao vídeo para entender melhor a pergunta e sua consequente resposta.

https://vimeo.com/129335481

... Yeah!                                            

Vis La vie

Á morte é condição sine qua non para o "ser" se tornar humano, o fato da morte ser uma criação cultural - logo humana - pressupõe que ela só exista dentro da esfera da humanidade. Enquanto a morte faz oposição a vida, em significância e não no conceito, dá a chance dessa vida se afirmar, pois sem a morte não há como a vida ser reconhecida, não há significado para a mesma (vida). Para tanto, a morte como conceito difere em área, por exemplo, a morte dos naturalistas e cientificistas como a cessação das funções bio-fisiológicas garante entender que aquele organismo não responde mais as leis naturais da físico-química em que os corpos, humanos, estão sujeitos, e mesmo assim ainda não responde por completo o que a morte é.


A morte como conceito metafísico (ou subjetivo) permite ao ser humano transcender a uma condição mais ampla, traduzida na possibilidade de suas ações. Essas possibilidades abrem uma incompletude ao ser que é tomado pela continuidade de sua existência, mas a morte é uma possibilidade que não permite outras continuações, não é possível um retorno ou uma retomada. E aí está, no momento em que o ser reconhece sua mortalidade, pode reconhecer sua vida, logo a existência fica evidente e pode reconhecer a si mesmo - dado que a ordem e o tempo descrito não segue uma sequência lógica como descrita para os diversos indivíduos. Se a morte fosse apenas o fim das funções orgânicas, então esta seria findar, e assim é para os outros animais e plantas que não têm em si a noção de reconhecimento de sua existência, não podem apreender o "si mesmo", ou seja, são dados como pré-determinados, uma essência de acordo com uma natureza.


Referências


HEIDEGGER, M. Ensaios e Conferências . Trad. Emmanuel Carneiro Leão. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 156.

HEIDEGGER, M. Sobre o humanismo . Trad. Emmanuel Carneiro Leão. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967, p. 41.

PESSOA, Fernando. Da Liberdade de Ser para a Morte - Dimensões da Humanização - Curso de Pós Graduação NEAAD / UFES, 2015.

domingo, 5 de julho de 2015

Discursos Legitimados



Primeiramente é importante definir "quem" são as fontes de discursos. Antes da revolução da informação, ocorrida com a informática e consequente criação da internet, hegemonicamente o meio científico era a palavra final em se tratando de validação de discursos determinados. Atualmente, o avanço dessa democratização da mesma internet, horizontalizou as relações entre informação e conhecimento, o que leva a crer que as condições de validação de discursos hoje são mais diversas em suas fontes. Todos os sujeitos têm condições de alcançar todo tipo de informações e conhecimentos, desde que tenham acesso ao produto computador e ao serviço de internet (o que não é homogêneo para a população), se apropriando daquilo que leem.



A alienação, conceituada por Marx, como o distanciamento da relação entre sujeito e sua criação, ou seja, o estranhamento entre produto e produtor, serve como base para entender as condições e reflexões em que este sujeito está inserido. Sob o conceito marxista de alienação, é importante salientar o vazio deixado pela não apropriação do sujeito naquilo que cria, abrindo margem para fetichismos que não o situa dentro do Real (conceituado por Lacan). O objeto de criação sofre uma descontinuidade pelo seu criador, que se orienta em tentar realocar ou reordenar tanto o espaço (Imaginário) quanto o objeto (Simbólico), ficando a mercê da ordem capital seguindo a linguagem de controle de massa, como por exemplo a captura da subjetividade, para se tornarem parte da engrenagem que movem o modo de produção. 
Em se tratando de desumanização x humanização, essa tentativa de explicar a legitimação dos discursos, pode ser empregada como linha de raciocínio também dentro deste tema versus. O sujeito, o indivíduo, o ser humano passa a ser visto, pelo modo de produção, apenas como peça integrante de um sistema que compõe a base de produção capital. Essa ação é uma nítida desumanização do ser humano, que está refém de sua subjetividade, alienada ao capitalismo, e como os detentores dos meios de produção são os países euro-ocidentais e a América do norte, a manutenção desse controle segue dispositivos envolvendo a economia, a publicidade e propaganda, a mídia e o marketing que são todas fontes de discursos legitimadas dessa cultura da informação. Ainda hoje os grandes discursos tecno-científicos e de conhecimentos são engendrados por pensadores de países dominantes, concluindo, enquanto os discursos forem orientados em função de um capitalismo dominante, desumanizar e humanizar são conceitos prisioneiros.

Referências

ADORNO, T. W. Teoria da semicultura. Tradução de Newton Ramos-de-Oliveira, UFSCar, 1992.
MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

ASTRO & ESTRELA - Por Mauro César Amorim


Sonho com um beijo seu em pleno espaço sideral – entro em órbita. Na Via-Láctea nossos corpos celestes fazem amor enquanto todos os terráqueos dormem. A cada madrugada despertamos a nossa realidade cósmica iluminada pelo abajur acesso sobre o criado-mudo. Você, afetuosa, me chama de astro. Eu, carinhoso, chamo você de estrela. Vagamos em meio a asteroides, meteoroides, meteoros e meteoritos. Bom mesmo é pegar carona na cauda de cometa. 


Você amou o anel de Saturno que lhe dei de presente – tão reluzente. Adoramos Urano, Netuno é belo, Vênus deslumbrante, embora o planeta Júpiter seja o nosso lugar preferido no universo. Em Marte, durante o verão, frequentamos sempre o mesmo resort bebendo bons drinques. Como os marcianos são hospitaleiros. O nosso programa favorito no Sistema Solar é pendurar uma rede de balanço entre a Terra e a Lua. Deitados e abraçados a constelação de Cassiopeia resplandece a beleza do seu brilho sobre as nossas íris brilhantes. O Cosmo é a nossa casa sem telhado, janela e nem porta. O silêncio é sacro, o sentimento mantra e a palavra santa. Só conversamos o necessário, é bom escutar o que dizemos. Na galáxia não existe religião, nem tão pouco dízimo. Desprovido de pecado, a consciência desconhece a ganância e a nossa existência o que seja profano. Confiamos um no outro pelo simples fato de não haver desconfiança. É um sonho lindo no qual a gente sonha somente quando está apaixonado. Apenas é possível sonhar esse sonho lindo quando o amor se faz sentido. Acordei extasiado com vontade de estar dormindo – quiçá, voltar a sonhar esse sonho lindo.

Homenagem a Maurinho (...e todos aqueles que carregam no semblante o sorriso peculiar dos felizes)


domingo, 14 de junho de 2015


Família tradicional brasileira?



Se falar em tradição é conceituar um simbolismo que perdura de geração em geração transmitida pelos humanos pertencentes a um grupo, que respeita a um estatuto não dissolvível pelo tempo...então há séria confusão sobre o tal assunto "família tradicional brasileira". Essa intitulação é a afirmação de uma característica bem peculiar, ou seja, aquela que está configurada pela bíblia, homem e mulher unidos em laços de sacramentos para terem a obrigação de conceberem filhos, outorgados pelos dogmas da religião cristã. Brasileiros que não são cristãos, já estão pelo menos errados em algum ponto, sua união não é reconhecida pelos cristãos. Cristão que não podem ter filhos, não são reconhecidos como plenos, segundo a tradição mais ortodoxa e arcaica. Mulheres devem ficar em um papel sempre secundário de auxilio ao homem, não podendo ser tocadas em período menstrual, por estarem impuras. A família tradicional brasileira (cristã), vem de uma história cheia de domínios de poder, enriquecimento ilícito, mentiras, roubos de terras e assassinatos, claro, que não se pode mensurar a porcentagem desses fatos desde o séculos XVI ao XIX, mas sabendo que portugueses degredados, por crimes contra a coroa portuguesa, ou seja, índole duvidosa (que estupraram várias índias), juntamente com jesuítas que vinham com a proposta de converter ao catolicismo, se preciso a força com cacetadas nas mãos e cabeça, os nativos da região. Nativos da região, sim, esses são a verdadeiras família TRADICIONAL brasileira, que sempre estiveram aqui nessas terras, e foram desaculturados à força em nome de dogmas europeus de origem árabe (que bagunça). Terras foram tomadas, índios agredidos e obrigados a trabalhar contra sua vontade, desenganados em sua fé como pagã, não houve respeito pelos cristãos europeus que pouco a pouco foram impondo a "palavra" e seu modo de vida "civilizado". Temos um outro integrante num capítulo ainda pior do que o índio, o negro, desumanizado pelos europeus degredados (criminosos), pelos europeus/brasileiros burgueses (comerciantes) e pelo clero europeu/brasileiro (jesuítas) colocado na condição de escravo com todos os direitos de ser humano revogados, com diversos requintes de crueldades, sem escolha (nem Sartre aqui poderia interferir). Após a abolição não houve indenização e dispositivos de direito que amparassem essa parcela da população, manipulada por Rui Barbosa, eliminando a prova de longos anos de crime, queimando-as. A igreja apoio o tráfico negreiro, validou a escravidão, e ratificou que o "negro não tinha alma". Hoje o vaticano e seus sucessivos Papas pedem desculpas a esse ocorrido na história, "foi um erro" dizem. Vale apena pensar o seguinte, se erraram naquela época, por tanto tempo (300 anos) podem estar errados ainda hoje em se tratando de questões sobre a existência humana. Todavia se beneficiaram grande parcela de brancos dentro país, brasileiros ou naturalizados, e imigrantes que ganhavam pedaços de terra de acordo com a legislação do trabalho que os favoreceram (meeiros), ao negros e ao índio nada, apenas as florestas e os montes das favas - sementes ou favela. A família tradicional brasileira que compõe a herança atrapalhada e perversa do país é a branca, descendente européia, de traço patriarcal e cristã, para todos os outros grupos étnicos (judeus, mestiços, índios, negros e outros) dentro do Brasil, a tendência é seguir esse padrão. Essa construção cultural de família unida ao modo de produção mundial do capital é eficaz e faz isso acontecer de forma natural e sem que as pessoas se apercebam do anacronismo que cometem, quando por exemplo defendem certos pontos de vistas indo contra (muitas vezes) sua história e a herança cultural ou negando o outro lado da história pelo seu desconhecimento dos fatos e falta de perspectiva reflexiva. Família tradicional brasileira é a indígena, por direito de tempo e nascimento desta terra, tudo outro é engano e assalto cultural. Hoje não existem culpados pela história do passado, mas existem culpados por ignorância, vá estudar e ler, se informar antes de levantar versículos e passagens do livro religioso do qual nem faz parte de sua cultura, a não ser que você tenha nascido em jerusálem.







Referências Bibliográficas

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro. A formação e o Sentido do Brasil. –

1 ª ed. 1995 – 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.