terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Arte e Linguagem

A percepção, um dos atributos que nem todos os seres humanos tem naturalmente desenvolvidas. Algumas pessoas, ainda a duras penas, precisam ao longo dos anos trabalha-la de forma positiva sem conseguir de fato um avanço. Nesse sentido quando ouvimos por exemplo "esta música é ruim ou para que serve aquele quadro", comentários assim provam que o indivíduo não consegue diferenciar ou conceitar tal apreciação para além de sua concepção de mundo, julgando o objeto apenas pelo que conhece. 
Surge então dois problemas ao observamos essas imbrincadas situações, a primeira o que é arte? e a outra seria para que serve a arte? ou até mesmo para quem se faz arte?
Bem, não tenho a pretensão de esgotar uma questão que atravessa séculos de expressão, porém, pelo viés filosófico, em livre pensamento, ou seja, aparentemente livre de escolas filosoficas, observar o que acontece neste campo. Tomando a primeira pergunta, o que seria arte? - expressão estética, cinestésica gerada pelo ser humano provocando intencionalmente o outro. Alguém uma vez me disse que pode ser feita a arte sozinho ou para ninguém, apenas pelo simples fazer. O companheiro se referiu a que ninguém é obrigado a fazer arte para alguém. Talvez meu companheiro esteja iludido pensando que o ser humano é tão livre no seu pensamento a ponto de fazer algo fora de um "roteiro" previsível. Entendemos que todos, ou pelo menos a maioria, os indivíduos são educados ( no sentido conceitual da palavra) por outros seres humanos, logo aprendem a ser comportar e pensar como tal, mesmo aqueles que discordam de um comportamento mais comumente aceito e fazem o oposto, o fizeram por reação a algo já existente em outros humanos. Simplificando o homem só se reconhece humano frente a outro homem, naturalmente é necessário o contato do outro para que este que observa se iguale, diferencie ou ignore. O outro irá causar sensações neste individuo que a partir de então se tornará cada vez mais humano e tecerá seu comportamento em virtude de suas relações e experiencias com os outros. Portanto a arte é uma linguagem estética, dotadas de intenção cinestésica a causar efeito em si e no outro. Veja o exemplo de um monólogo e um diálogo, enquanto um é apenas um falando o segundo são dois trocando palavras e aí a ironia, de que adianta o interlocutor do monólogo falar a si sozinho, sem se apresentar? Poderia até considerar tal hipótese, sua apresentação, com efeito seria algo a comunicar-se a si, porém, por motivação relacionada em épocas anteriores pelo outro. A arte como linguagem de expressão precisa ser comunicada ao outro ou que não seja, mas seja entendido mesmo que depois de anos tenha a clara noção que essa ação foi gerada por contato, comunicação com o outro. 
Para mim, a pergunta mais difícil de ser respondida, se é que poderia ser definida, seria para que serve a arte? - pessoalmente, serve a transcendência, nos ajudar a transcender o momento presente. Por se tratar de subjetividades é mais sensível de se alcançar uma resposta conceitual e comumente aceita. Mas certo de que diversas são as funções tanto quanto são diversas as culturas, para cada uma (cultura) delas haverá uma função. Percepção parece ser a chave para entender o sentido de para que ou para quem serve a arte (aliás para entender várias coisas), exercitando a mesma o indivíduo pode acessar a linguagem tanto da arte como a do outro com mais compreensão. Uma cultura popular, que reúna elementos desconhecidos da pessoa que está estabelecendo contato com a expressão em questão, pode gerar uma completa crítica e e repulsa sem ao menos entender o contexto a que construiu aquela estética ao mesmo tempo que poderá fisgá-la instante de forma positiva. todos dois casos são parecidos, porém, o primeiro parece ser um tanto tradicionalista e o segundo revolucionário partindo de sua concepção de mundo. Fato é que em algum ponto houve uma reação a provocação dessa expressão,causou uma transcendência ao estado em que se encontrava na hora do contato.

        Pintura em óleo sobre tela de corcel negro  

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             sátira de massa : bundas e fastfood

Quem vai ditar para que ela(arte) serve é a própria cultura, se ela será para aglutinar massas ou o oposto, causar crítica/escárnio/sátira/tristeza, perpetuar uma ideologia politica ou religiosa, mercadológica e financeira ou pertencimento a um grupo que o(indivíduo) legitime. Vivemos hoje em um mundo tão veloz em troca de informação que as artes acabam por serem meras expressões de consumo, na mesma velocidades com que descartam outras pessoas, outras ideias e outros objetos. Então num viés filosófico, Adorno, chamaria de semiformação da arte, essa visão que a arte é instrumentalizada e pragmática como defini acima. Não devendo seguir esse rumo pateticamente norte-americano para se tornar parte do "business", em contrapartida exercitar a percepção abri caminho para a transcendência, essa nos da a chance de exercitar a reflexão. A reflexão por sua vez nos mostra caminhos de contato com a razão, o conhecimento, o reconhecimento das emoções e o entendimento da linguagem, coisas que essa arte de massa ( diferente de popular) não faz, apenas é consumida e emburrece os seus adeptos.
De qualquer forma fazendo trocadilho "há sempre uma cultura velha para um humano descalço" , e aí jaz o bom senso de não julgar sem conhecer, sem estudar!

sábado, 14 de dezembro de 2013

" há sempre o perigo da adulação ser tornar traição, na caça a armadilha é a própria matilha"
O nada e o tudo

ausência da presença, nem sequer essência

silenciosamente a mente teme e sente

no fundo, no fundo um mundo mudo

falada letras aladas passadas à longas passadas

inquietante ciclo redundante do ser pensante

antecede, precede quando acontece

o estrondo de um som monstro hediondo

 a força mais primitiva remonta toma conta

aquela ira, animal cisma e o olhar mira

um outro, lobo intruso, em território urso

pronto para guerra sincera pela amada terra

se ésta não estiver certa, quiser estrangeira festa

a mansidão, a afeição dá lugar ao leão

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

" Enquanto os leões não contarem sua história, os contos sempre glorificarão os caçadores "

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Zohar

Em nada, ausente apenas dono de um ontem, 
Não lembrável, vultos inesquecíveis, nebulosas visões, 
alguns nomes...

Hoje ainda não sei se o vento é o verdadeiro intruso,
Passageiro no nascimento!! No ontem me confundo.

Atravessa o inatingível tempo de forma pitoresca
No espaço frio por onde passa a alegria carnavalesca,

Sem nave, agilidade, tudo é novidade a que velocidade?
Nem mesmo o sol exala tanto barulho e mocidade.

O dia atual, pontualmente já se tornou amanhã,
O relógio do universo foi roubado pelo grande Titã 

Fazendo o indivíduo atrevido estranha-mente comedido
Cresce ele como a branca barba dos piratas antigos, 

Esqueceu-se do alaranjado calor, do avermelhado furor
Mesmo sabendo que lhe causaria apatia, sim muita dor

Um bom pensar, ser igual, caminhar na calçada, fila, mais um
Assim a vida foi entardecendo, pouco barulho ou quase nenhum...
E nesse oceânico silêncio quebrou uma desavisada onda forte

Parecia que Poseidon se indignou com a tal pulsão de morte...

Em contenda com o Centauro ascendendo a ponta da flecha

Esta seta cruzou a contradição, singrando no mar do inconsciente...


Sua ponta flamejante trouxe aquela conhecida cor incandescente...
Em que tudo lembrou o velho intruso... o observável transparente... 
O caminho está a salvo, a criação, a vida transcendente. 
Os mitos


O que são os mitos e para que servem? A origem dos mitos perde-se na noite dos tempos, sem que ninguém possa dizer de onde vieram. São narrativas fascinantes, porém absurdas para quem quiser neles enxergar algo palpável e “real”.
E não adianta neles procurar verdades científicas ou mesmo; quem tentar fazê-lo perderá toda a sua beleza e fascínio, além de desperdiçar seu tempo.


Mas se são absurdas fantasias, para que servem então?
Para levar-nos para longe da realidade e embalar-nos em sonhos impossíveis?
E ainda assim ficamos por eles apaixonados e maravilhados.
Falam de coisas que nos dizem respeito e parecem responder a tantas e tantas perguntas que temos sobre o mistério e o absurdo de existir. Que estranho! Parece que quando conhecemos um mito, “já sabíamos sem saber”, soa-nos tão familiar e, principalmente, toca o coração – se nosso realismo permitir e não exigir que o descartemos como bobagem ou simples mentira (afinal, mito é seu sinônimo).


Na Antigüidade, longe de indicar algo falso, os mitos eram considerados a linguagem que os deuses utilizavam para ensinar a nós, pobres mortais, a arte de viver, amar e deles se aproximar.
Eram narrativas fantásticas e ambíguas porque os deuses nunca se comunicam de forma direta conosco; não é muito diferente do que ocorre quando consultamos um astrólogo ou um vidente. As respostas que buscamos nunca são transparentes e diretas - elas exigem nossa intervenção e interpretação para ganharem sentido e direção. É como se adentrássemos num mundo mágico (esta palavra deriva de mito…), onde se abrem novas possibilidades e esperanças para um futuro sempre incerto, mas tão sonhado e desejado.


Os mitos não podem – e nunca quiseram – competir com a ciência e a razão. Eles nos abrem as portas para uma outra realidade: o mistério de viver, com seus dramas individuais e coletivos, suas angústias, medos, alegrias e anseios. Eis onde a ciência e a razão sempre fracassaram redondamente! Alguém se atreve a explicar sua própria existência de modo científico, racional e previsível? Se conseguir é porque já morreu e ainda não foi notificado da data de seu enterro…



Eis a beleza dos mitos que tanto nos fascina e apaixona: eles não prevêem, abrem portas e possibilidades para a nossa vida. Por isso são fantásticos e ambíguos; exigem nossa participação e tomada de posição, enfim, cobram-nos a coragem de viver e não simplesmente vegetar. Assim, cada um tem o desafio de recriar um mito - qualquer mito - para a sua própria vida de acordo com sua visão e compreensão.

Ontem como hoje, eles fazem o papel dos oráculos e videntes de nosso íntimo.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Eu tenho pressa tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim... Kid abelha

Quanta oferta, quanto consumo, enfim muita demanda e não estou falando sobre mercado, sobre produtos, falo de seres humanos. Faça uma pequena experiência, fique sem comparecer aos encontros de amigos e famílias, mas mantenha um acalorado contato com todos nas redes sociais (de todos os tipos), ou seja, esteja "in" do que acontece no cotidiano. Depois de uma tempo faça o oposto tente manter apenas contato presente ao mesmo grupo e apague os programas e tudo mais que possa facilitar te achar. O resultado pode ser intrigante do ponto de vista causal, a tecnologia que tanto nos facilita o dia-a-dia é uma externalização do nosso impulso de criar, da nossa faculdade de querer, nossa vontade? 
Creio que ao inventar a pólvora o homo sapiens queria adornar eventos comemorativos, do mesmo modo ao criar o carro acelerar os deslocamentos e evitar o fardo do cansaço ou quando pensou no pc aumentar a capacidade para lidar com as informações diárias, se é assim, então é a faculdade de querer. 

Esse querer então tem uma chance de ser tanto sublime como medíocre, pendendo mais para o segundo quando sempre pensado em afagar o prazer no ego e o primeiro quando pensamos nos outros. Nossa tecnologia já esta impregnada de intuitos monetários-causais e apenas aumenta o pensar individual, assim é a lógica capital "compita, conquiste, vença e consuma". Note bem que muitas das criações tecnológicas tomaram rumos outros e não só apenas aqueles pensados a priori, a adaptação é formidável no humano mas os efeitos colaterais do que se cria nunca são contabilizados se assim fosse não teríamos DORT, acidentes ocasionais com aparelhos de uso pacífico, mudanças de hábitos morais "bons" para '"ruins" enfim consequências nocivas a quem adquiri-lo. 

Ao mesmo tempo os inventos vêm acompanhando o tipo de pensamento e a limitação de sua época *, hoje temos aí as informações em excesso, em excesso também suas cores, detalhes, retórica , pragmatismo e o conhecimento? A sabedoria? A inteligência? (Por favor não comentam o erro de achar que quanto mais informado mais inteligente o indivíduo). 
É, arquivamos uma enxurrada de coisas que nem sabemos para que serve e outros que para nada servem pelo fato de quanto mais melhor, captamos a lógica capital de uma levamos isso para nossa psique e pensamos que é assim mesmo que deve funcionar, consumir, arquivar, abastecer, estocar. 
Mas e o tal experimento? o que tem a ver? Nada e tudo, bem , ele é nada se você considerar que o mundo é assim mesmo e tudo se você acha que algo não vai bem a muito tempo. O número de amigos que se tem numa rede social está para este excesso de informações assim como uma (1) boa leitura está para o seu amigo de fé, irmão camarada. Porque simplesmente não se pode conhecer todas as coisas (e suas verdades) paradoxalmente não se pode fazer um amigo de verdade sem o tempo necessário. 

Estamos vivendo num mundo muito superficial, muito rápido, muito "pró-ativo de liderança"...rsrs...com várias expressões que nem bem são inventadas e são substituídas por outras mais fashion. Uma das coisas mais esquisitas para minha pessoa é como vejo o ocidental usar por exemplo o Yoga, é uma ferramenta de equilíbrio para executarmos melhor nossas ações no dia e no trabalho. Realmente uma distorção completa, nesse pensamento enraizado em que tudo deve ter um motivo para ser usado, se rebaixa demais o potencial e a essências das coisas nesse modo de abordagem. Por isso que a maioria da população não consegue entender a arte plástica e visuais por exemplo, na qual considero a expressão máxima de criatividade humana e que só se alcança a percepção popular se houver alguma linguagem que a traduza nos moldes de utilidade. 

A medida que absorvemos essa ideia de quantidade de informação (na lógica burra atual) temos argumentos para ganharmos mais, consumir mais, comprarmos mais, gastarmos mais e morrermos igual a todos, com irrevogável rigor mortis como fimSejamos mais profundos, viver uma emoção verdadeira com a reflexão da inteligência ( no sentido luminoso mesmo) não importando, por exemplo, você largar o emprego e viajar para a Asia, viver de fato com quem se está aprendendo a amar ou fazer um curso que tem mais a ver com você mas o faça consciente e não porque é o imperativo-imbecil-contemporâneo. A palavra é dedicação...e essa só poderá vir com o tempo, não há como burlar. 


*Ao meu ver não há tecnologia primitiva ou menos civilizada, esse pensamento é errôneo do porque trata os agentes tecnológicos e os entes como atemporais, quando na verdade devemos respeitar um sincronismo como o modus vivendi, modus operandi da época.